Cher: 25 anos

Os tempos estão difíceis, mas (…) vou mostrar a todos (…) que isso está longe do fim.

Esse trecho da música You Haven’t Seen The Last of Me se encaixa perfeitamente em certos períodos da carreira da Cher. Nesses quase 50 anos de carreira, ela teve muitos altos e baixos. Altos bem altos e baixos bem baixos. Mas ela mostrou ser forte e capaz de superar as dificuldades e conseguiu seguir em frente com seu sonho de infância de ser uma estrela.

Há exatos 25 anos era lançado o álbum Cher, o CD que marca um dos muitos retornos dela ao mundo da música. Para celebrar, o Cher Brasil resolveu fazer um texto bem especial sobre esse disco que deu aos fãs tantos hits inesquecíveis. Preparamos uma bela leitura de final de semana para vocês, lovelies.

Começaremos o especial situando vocês sete anos antes do lançamento do nosso álbum homenageado.

O ano era 1980. Cher tinha 34 anos de idade, 16 de carreira, dois ex-maridos, dois filhos, 7 singles de sucesso em sua carreira solo e milhões de álbuns vendidos. Seu último projeto tinha sido o álbum Prisoner, que teve uma recepção moderada pelo público e crítica.

No início da década de 80 o rock era o gênero predominante nas rádios. Bon Jovi, Scorpions, Mötley Crue e Whitesnake eram as bandas que ditavam o mundo da música e Cher, conhecida pelo seu poder de se reinventar e trilhar novos caminhos, decidiu investir nesse gênero. Abandonou o estilo disco/new wave do Prisoner, lançado um ano antes, para investir pela primeira vez no rock com a Black Rose, uma banda criada em parceria com alguns amigos e seu namorado na época, o guitarrista Les Dudek.

Black Rose era um projeto paralelo à carreira solo da Cher e, por isso, não era divulgada usando a influência que a diva tinha no ramo musical. Dificilmente o nome dela era citado na promoção da banda e, mesmo que ela e a banda dividissem a mesma gravadora, a Casablanca Records, a diva aparecia apenas numa foto na contra capa do disco. Além de ter feito muitos fãs sequer ficaram sabendo da existência desse projeto, a discrição em relação à participação dela era tanta que fez com que o álbum Black Rose fosse um fracasso de vendas.

Após encerrar as atividades da banda (alguns meses após o lançamento do único álbum do grupo e de uma mini turnê), Cher seguiu com a sonoridade rock, mas, dessa vez, mesclou-a com um pouco de country e algumas baladas em I Paralyze, álbum lançado em 1982. Mesmo que alguns críticos tenham dito que o disco era o trabalho mais forte e consistente dela em muitos anos, o projeto não foi muito divulgado e isso fez com que, assim como o Black Rose, o álbum fosse um fracasso de vendas.

Cher decidiu, após dois projetos comercialmente falhos, focar sua carreira no cinema e começou a fazer audições para diversos papéis. No entanto, ela não tinha muita experiência no ramo da sétima arte, pois tinha participado de apenas dois filmes até então: Good Times (de 1967, uma comédia musical em parceria com seu marido na época, Sonny Bono) e Chastity (de 1969, um romance escrito pelo Sonny para tentar alavancar a carreira da Cher no cinema). Embora a crítica da época tivesse dito que ela atuava de forma muito natural e instintiva, ambos os filmes foram um fracasso de público.

Sempre decidida, Cher se mudou para Nova York em 1982 para ter aulas de interpretação, mas, felizmente, nunca chegou a frequentar o curso. Ela tinha sido escolhida para estrelar o musical, e mais tarde o filme, James Dean: O mito sobrevive. Ela ganhou sua primeira nomeação para o Globo de Ouro com esse projeto e, a partir daí, sua carreira no cinema ganhou força e ela começou a gravar diversos filmes. Os dois primeiros trabalhos ‘pós-James Dean’ foram Silkwood, em 1983, que lhe rendeu um Globo de Ouro de melhor atriz coadjuvante e uma indicação ao Oscar, e Marcas de um destino, de 1985, que lhe rendeu o prêmio de melhor atuação feminina no Festival de Cannes.

Em 1985, Cher, com dois filmes de sucesso no currículo, já era uma atriz respeitada em Hollywood. Sempre fiel às suas convicções, fez um ‘protesto fashion’ contra o sistema e a forma como a indústria cinematográfica a tratou durante anos e, na cerimônia do Oscar de 1986, desfilou pelo tapete vermelho com um vestido icônico desenhado pelo estilista Bob Mackie.

Aos 41 anos de idade, Cher tinha abandonado o status de ‘cantora ultrapassada’ para ocupar o de ‘diva do cinema’. Mais poderosa e prestigiada do que nunca, ela decidiu, mesmo com três filmes programados para serem lançados em 1987, gravar um novo álbum para o mesmo ano. O gênero escolhido foi o rock, que ainda tinha muita força nas rádios e paradas musicais. O título do projeto? Cher.

Sem uma música no top 10 da Billboard desde Take Me Home, em 1979, Cher sabia que seu retorno teria que ser grandioso e que ela precisaria de todo o apoio comercial possível. E assim aconteceu. Ela assinou um contrato com a Geffen Records, gravadora que possuía em seu portfólio artistas de peso e que faziam muito sucesso na época como Elton John, Donna Summer, Irene Cara e Kylie Minogue. O dono da gravadora, David Geffen, namorou a Cher no início da década de 70.

Além disso, Cher uniu-se novamente com Desmond Child, compositor e produtor responsável pelo sucesso da banda Bon Jovi (algo como o que Max Martin e Dr. Luke fizeram com a Britney Spears) e que já tinha trabalhado com ela no álbum I Paralyze. Além de Child, o time de compositores tinha nomes como Michael Bolton (atualmente conhecido por ser um cantor de baladas românticas, mas que, nos anos 80, fez sucesso com o estilo pop rock e rock melódico), Jon Bon Jovi e Richie Sambora (respectivamente, vocalista e guitarrista da banda Bon Jovi) e a compositora ainda em início de carreira, mas já com vários hits no currículo, Diane Warren.

Cher também tinha apoio ‘pessoal’ para o projeto. Um ano antes, ela tinha conhecido o padeiro Rob Camilletti, 18 anos mais novo do que ela. O relacionamento foi um dos mais duradouros dela e, talvez, Rob tenha sido o homem que a fez mais feliz depois do Sonny. Cher estava plenamente realizada em sua vida pessoal e em sua carreira no cinema. Faltava só voltar a dominar o mundo da música.

No dia 10 de novembro de 1987 o álbum Cher era lançado. Composto de 10 faixas, foi um marco na carreira da diva, vendendo milhões de cópias,trazendo hits inesquecíveis e outras faixas adoradas por muitos fãs.

O álbum começa com I Found Someone, uma balada rock escrita por Michael Bolton e Mark Mangold e lançada originalmente pela cantora Laura Branigan.

Com um início marcado por sintetizadores e as demais estrofes, por guitarra e bateria, a música, cujo CD-Single vendeu aproximadamente 2 milhões de cópias, foi o primeiro single do álbum e chegou à 10ª posição na lista Hot 100 da Billboard americana e à 5ª posição nas paradas do Reino Unido. O clipe, assim como a letra da música, mostrava uma mulher (Cher) que foi abandonada pelo seu amado (Rob Camilletti), mas que não se deixou se abalar e encontrou alguém para substituí-lo. I Found Someone foi apresentada em alguns programas de TV e, em uma dessas apresentações, no programa Late Show With David Letterman, Cher, além de promover a música, cantou com seu ex-marido Sonny Bono pela última vez.
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A segunda faixa do álbum é We All Sleep Alone, escrita por Desmond Child, Jon Bon Jovi e Richie Sambora, com quem Cher teria um relacionamento em 1989.

A primeira balada do álbum começa com um ritmo envolvente e vai crescendo até que, na metade da música, o ritmo fica mais forte e acompanhado por guitarras e baterias. Escolhido como o segundo single do álbum, a canção tem uma letra que parece um conjunto de conselhos dados por uma pessoa experiente na vida amorosa. “Ninguém, em lugar algum, tem a chave do seu coração. Quando o amor vira uma posse, ele acaba com você.”

O clipe tem duas versões: a original (acima), com Cher e Rob em uma cama envolta por panos rasgados, e outra alternativa, que mescla o clipe original com cenas externas gravadas com dançarinos. We All Sleep Alone e I Found Someone as únicas músicas do CD apresentadas em todas as turnês da diva desde o lançamento do projeto. Geralmente uma era performada seguida da outra.

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A terceira faixa é um remake da música Bang Bang (My Baby Shot Me Down), lançada por Cher em 1966, e que, no álbum Cher, recebeu o título Bang-Bang. Escrita por Sonny Bono, a faixa é completamente diferente da original por ser acompanhada por uma sonoridade pesada de guitarras.

Bang-Bang foi o quarto single do projeto na América do Norte (na Europa os únicos singles foram I Found Someone e We All Sleep Alone) e não fez muito sucesso, ao contrário da versão original que chegou à 2ª posição no Hot 100 da Billboard. Nenhum clipe foi gravado para a música.

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A quarta faixa é Main Man, uma balada escrita por Desmond Child, com estrutura semelhante a We All Sleep Alone. Lançada originalmente pela banda Desmond Child & Rouge, 11 anos antes, foi o quinto e último single do Cher.

A música é uma declaração de amor e, se tivesse sido escrita pela Cher, certamente seria dedicada a Rob Camilletti, seu amado na época. O clipe da música mostra os dois em uma mansão, num clima bem romântico e carinhoso.

A música foi apresentada no MTV Video Music Awards de 1988 e partes da apresentação foram inseridas no clipe da música. O filho de Cher com o músico Gregg Allman, Elijah Blue Allman, aparece tocando guitarra na apresentação.

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A quinta faixa é Give Our Love a Fightin’ Chance, escrita por Desmond Child e Diane Warren.

OBS: O vídeo abaixo é o único disponível na internet com o áudio dessa faixa. No entanto, ela está um pouco acelerada e isso acabou com a sonoridade da música. O Cher Brasil recomenda a versão original, um pouco mais lenta.

Com um início sombrio, a música relata uma situação crítica no relacionamento de alguns casais: o pedido de ‘tempo’. Na música, o tempo é pedido apenas pelo homem. A mulher acha que os dois tem tudo para dar certo e pede que ele dê uma chance para o amor deles lutar e vencer, afinal de contas eles são adultos e podem fazer a relação dar certo. “(…) Não vire as costas e fuja. (…) Você tem que lutar para manter o amor vivo.

Essa é a primeira faixa escrita por Diane Warren para a Cher. Anos depois, Diane seria responsável por um dos maiores sucessos da carreira da Cher, If I Could Turn Back Time. Entre as músicas que ela escreveu para a diva, podemos destacar Love and Understanding e, mais recentemente, You Haven’t Seen The Last Of Me.

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A sexta faixa é Perfection, também escrita por Desmond Child e Diane Warren e que poderia muito bem ter sido escrita pela Cher.

A letra da música fala sobre ser (ou pelo menos parecer) perfeito no mundo dos famosos, fazendo um paralelo com a vida amorosa das estrelas. “Nada é perfeito se o amor não estiver certo também

Cher, que tem vários nomes no seu currículo de ex-namorados, sempre tentou conciliar sua fama de estrela do pop com sua vida pessoal, mas quase nunca obteve sucesso. A perseguição constante por parte dos paparazzis da época fez com que ela muitas vezes se sentisse prisioneira da sua própria fama. Em 1990, Cher foi acusada de agredir um fotógrafo que cercava a sua casa e foi para no tribunal para se defender da acusação.

Uma curiosidade é que as cantoras Bonnie Tyler e Darlene Love fazem backing vocal nessa faixa.

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A sétima faixa é Dangerous Times, escrita por Roger Bruno, Susan Pomerantz e Ellen Schwartz, é relativamente curta (3min de duração) e tem uma sonoridade bem radio friendly.

A letra fala sobre alguém que está prestes a começar um relacionamento mas está receosa, por já ter tido experiências não tão agradáveis; ela não quer arriscar e ter seu coração machucado novamente. “Posso confiar em você para ficar do meu lado nesses tempos difíceis?

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A oitava faixa é Skin Deep, composta por Jon Lind e Mark Goldenberg. É uma daquelas faixas feitas só para ‘dar volume’, uma vez que não se encaixa na proposta rock do álbum.

A letra fala sobre um amor a primeira vista que deixa a personagem hipnotizada. Foi o terceiro single do álbum mas poderia ter sido substituída por Give Our Love a Fightin’ Chance, uma faixa que, além de rock, é muito mais original do que Skin Deep.

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A nona faixa é Working Girl, escrita por Desmond Child e Michael Bolton. A música é a que possui um estilo rock mais alternativo em todo o álbum.

A letra fala sobre uma mulher que trabalha duro como secretária para conseguir se sustentar, enfrentando o chefe que dá em cima dela e o domínio masculino no mercado de trabalho. Cher poderia ser essa mulher, pois trabalhou duro durante anos para sustentar seus filhos e enfrentou tudo e todos para conseguir o que queria.

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A décima e última faixa é Hard Enough Getting Over You, uma balada escrita por Michael Bolton e Doug James.

A letra fala sobre uma mulher que está tentada a dar uma segunda chance ao homem que partiu seu coração. No entanto ela acha que não vai conseguir, por mais que ainda o ame, afinal de contas foi difícil esquecê-lo da primeira vez e ela não tem certeza se conseguiria suportar um segundo adeus.

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Ainda em 1987, Cher lançou três filmes: o suspense Sob Suspeita, a comédia As Bruxas de Eastwick e a comédia romântica Feitiço da Lua, que lhe rendeu o Globo de Ouro e o Oscar de melhor atriz pelo papel da italiana Loretta Castorini.

Após o lançamento do Cher, a diva lançou mais dois álbuns de rock pela Geffen Records que fizeram tanto sucesso (ou até mais) do que o álbum homenageado desse especial.

Mesmo não tento alcançado o topo das paradas, o álbum Cher foi um grande sucesso e trouxe hits que até hoje aparecem em listas das melhores músicas dos anos 80. Com esse CD, Cher provou que desistir é para os fracos e que ela não era nem um pouco ultrapassada. Muito pelo contrário. Ela ainda tinha muita popularidade.

E em 2013, após um hiato de 11 anos, a diva fará um novo retorno ao mundo da música. Esperamos que ele seja como aconteceu em 1987: com hits e músicas que façam os fãs, e o mundo, se encantarem novamente com essa pessoa multitalentosa que é a Cher.

P.S.: Não queremos nenhuma música para dar volume ao álbum. Nada de Skin Deep 2.0. hahah